terça-feira, 13 de setembro de 2011

DO BOM E DO MELHOR
Estamos obcecados com "o melhor". Não sei quando foi que começou essa mania, mas hoje só queremos saber do "melhor".
Tem que ser o melhor computador, o melhor carro, o melhor emprego, a melhor dieta, a melhor operadora de celular, o melhor tênis, o melhor vinho. Bom não basta.
O ideal é ter o top de linha, aquela que deixa os outros pra trás e que nos distingue, nos faz sentir importantes, porque, afinal, estamos com "o melhor".
Isso até que o outro "melhor" apareça - e é uma questão de dias ou de horas até isso acontecer. Novas marcas surgem a todo instante. Novas possibilidades também. E o que era melhor, de repente, nos parece superado, modesto, aquém do que podemos ter.
O que acontece, quando só queremos o melhor, é que passamos a viver inquietos, numa espécie de insatisfação permanente, num eterno desassossego.
Não desfrutamos do que temos ou conquistamos, porque estamos de olho no que falta conquistar ou ter. 
Cada comercial na TV nos convence de que merecemos ter mais do que temos.
Cada artigo que lemos nos faz imaginar que os outros (ah, os outros!...) estão vivendo melhor, comprando melhor, amando melhor, ganhando melhores salários.
Aí a gente não relaxa, porque tem que correr atrás, de preferência com o melhor tênis.
Não que a gente deva se acomodar ou se contentar sempre com menos. Mas o menos, às vezes, é mais o que suficiente...
Se não dirijo a 140, preciso realmente de um carro com tanta potência?
Se gosto do que faço no meu trabalho, tenho que subir na empresa e assumir o cargo de chefia que vai me matar de estresse porque é o melhor cargo da empresa.
E aquela TV de não sei quantas polegadas que acabou com o espaço do meu quarto?
O restaurante onde sinto saudades da comida de casa e vou porque tem o "melhor chef"?
Aquele xampu que usei durante anos tem que ser aposentado porque agora existe um melhor e dez vezes mais caro? O cabeleireiro do meu bairro tem mesmo que ser trocado pelo "melhor cabeleireiro"?
Tenho pensado no quanto essa busca permanente do melhor tem nos deixado ansiosos e nos impedido de desfrutar o "bom" que já temos.
A casa que é pequena, mas nos acolhe.
O emprego que não paga tão bem, mas nos enche de alegria.
A TV que está velha, mas nunca deu defeito.
O homem que tem defeitos (como nós), mas nos faz mais felizes do que os homens "perfeitos".
As férias que não vão ser na Europa, porque o dinheiro não deu, mas vai me dar a chance de estar perto de quem amo.
O rosto que já não é jovem, mas carrega as marcas das histórias que me constituem.
O corpo que já não é mais jovem, mas está vivo e sente prazer.
Será que a gente precisa mesmo de mais o que isso?
Ou será que isso já é o melhor e na busca do "melhor" a agente nem percebeu?


Leila Ferreira 

5 comentários:

Will disse...

Cris,
perfeitas considerações. Abaixo o consumismo desenfreado e a lavagem que tentam fazer em nossa mente de que tudo é descartável e quanto mais melhor.
A semente só precisa de uma gota para germinar.
Abraço!

Luna Sanchez disse...

Sou estranha, Cris : me contento com meu celular de meia pataca, meu carro nem é meu de verdade, o tenho em sociedade com meu irmão, não me rendo ao deslumbramento por cada sapato ou bolsa bonitos que vejo. No entanto, tem dias em que me dou pequenos luxos, como comprar seis esmaltes diferentes, um apetrecho novo pra cozinha (adoro!) e no trabalho eu sou fominha, admito : quero sempre fazer o melhor, estar à frente.

Esquisitices da vida, né?

;)

Um beijo.

Sig Souza disse...

Maravilha de texto! Concordo plenamente. O melhor prara mim é ter o suficiente para viver bem, dar conforto á familia e ajudar a criar minha futura neta que vai chegar em novembro. Ja tive ulceras de tanto passar nervoso mas com o tempo aprendi a dar o devido valor as coisas.
O melhor computador, por exemplo, é este que estou usando. Não é a ultima palavra da tecnologia mas faz tudo que eu preciso sem problemas. Porque trocar?

Kippy Marrie disse...

Cris e Ozzy... Obrigada pela visita em emu blog e pelo gentil recadinho. Também gostei que são meus amigos. VALEU! Ah... Quanto as rodelinhas de banana com ração, é uma ótima idéia pra a nossa festinha mesmo. Se quiser, peço pro meu Vovô ajudar na sua festinha com o Ozzy.... Rsrsrs. Ele vai gostar com certeza.
Tenham um ótimo dia e até breve amiguinhos.
Aus 1000 com amor e carinho da amiguinha doguinha...

KIPPY

Daniel disse...

Contradições.......É por isso que gosto da minha bicicleta e de andar a pé. Comprei meu primeiro carro, mas fiz questão de ser o mais econômico..No máximo meio tanque por mês.......obrigado........agora sei que não estou sozinho........